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Apresentando: livros sobre raça e tecnologia

Atualizado: 20 de jul. de 2020

Em meio às discussões sobre racismo que tomam o Brasil e o mundo, com ênfase nos meses de maio e junho de 2020, o ConJor convidou o pesquisador Tarcízio Silva (UFABC) para indicar leituras sobre Raça e Tecnologia. A texto abaixo foi publicado anteriormente no blog do pesquisador e foi gentilmente cedido para o ConJor.


Tarcízio Silva é doutorando em Ciências Humanas e Sociais no PCHS-UFABC, com mestrado em Comunicação e Cultura Contemporâneas pelo PPGCCC-UFBA. É co-fundador e Diretor de Pesquisa em Comunicação do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados - IBPAD. Organizou os livros Para Entender o Monitoramento de Mídias Sociais (2012), Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais: metodologias, aplicações e inovações (2016), Estudando Cultura e Comunicação com Mídias Sociais (2018) e Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos (2020). É curador da Desvelar, que mantém lista comentada com notícias, artigos, vídeos e referências sobre tecnologia e sociedade, com ênfase em abordagens decoloniais e afrodiaspóricas. Acesse: Newsletter Desvelar / LinkedIn / SlideShare / Blog / Twitter. Contato: eu@tarciziosilva.com.br.



Livros sobre Raça e Tecnologia - Curadoria de Tarcízio Silva


Os aspectos político-raciais das tecnologias, incluindo tecnologias de comunicação e internet, ainda são sub-pesquisados por variados motivos, sobretudo epistemicídios promovidos pelas garras da supremacia branca na academia. Em português, então, a situação é ainda pior. Reuni a lista abaixo para ajudar estudantes em busca de explorar temas de pesquisa sobre os aspectos de raça, racismo, racialização, branquitude, negritude, orientalismo e afins na/sobre tecnologia, sobretudo de comunicação digital.

A lista será atualizada continuamente, mas não é exaustiva. Deixe suas sugestões nos comentários!




Editado por Bosah Ebo, a publicaçãoreúne colaborações que pensam raça, classe e gênero na internet. Capítulos exploram a ainda, à época, disruptiva comercialização dos espaços online, controvérsias entre democratização e dominação, e temas como inclusão digital e literacia informática.








Editado por Alondra Nelson, Thuy Linh N. Tu e Alicia Headlam Hines, o livro reúne capítulos de pesquisa e entrevistas sobre aspectos da tecnologia e raça na vida cotidiana, da criação do mp3 à problemas enfrentados por profissionais latinas no Vale do Silício.










Organizado por Ron Eglash, Jennifer Croissant, Giovanna Di Chiro e Rayvon Fouché, a publicação traz capítulos sobre inventividade, meio ambiente e tecnologia, corporificação da tecnologia. Inclui trabalho de Fouché sobre o inventor Lewis Latimer e a posterior operacionalização das narrativas sobre sua invenção para fortalecer a ideia individualista do “American Dream”; apropriação nativo-americana da tecnologia para ativismo ambiental; e apropriações de mulheres africano-americanas de centros de tecnologia em tempos de exclusão digital.


Rayvon Fouché apresenta a história de vida e trabalhos de três inventores afroamericanos: Granville Woods (1956-1910), inventor independente; Lewis Latimer (1848-1928), um engenheiro corporativo na General Electric; e Shelby Davidson (1868-1930), que trabalhou no Departamento do Tesouro Americano.









A coletânea reúne capítulos variados sobre a experiência afroamericana com tecnologia. Inclui textos como: relato das descobertas de Judith Carney sobre cultivo do arroz; reflexões sobre invenção e inovação de 1619-1930, por Portia James; e a problemática da interpretação da história da tecnologia nos museus americanos, por Lonnie Bunch.




Lisa Nakamura escreve sobre a racialização das visualidades na internet, tema cada vez mais relevante em tempos de blackfishing e avatares “humanizados” de e-commerce.












Jessie Daniels estuda há décadas como a supremacia branca utiliza tecnologias digitais para se reinventar – desde quando a academia mainstream ainda achava que a internet resultaria na superação das identidades. Neste livro, apresenta o histórico das estratégias da branquitude patriarcal desde imprensa até fóruns e mídias sociais, com resultados que vemos hoje na algoritmização da política.







Anna Everett analisa o aumento da participação negra no ciberespaço, combatendo concepções errôneas sobre exclusão digital; além de apresentar estudos de caso como a Niajanet e a Million Woman March.











O livro revisa conceitos de raça, eugenia, o papel da ciência racial na supremacia branca e trata de manifestações contemporâneas na genética, desenvolvimento de farmacológicos customizados, vigilância genética e outras tecnologias.










A coletânea organizada por Lisa Nakamura e Peter A. Chow-White reúne 14 capítulos em quatro partes: história da raça e informação; raça, identidade e classificação social; segregações digitais; e biotecnologia e raça como informação. Inclui colaborações de Alondra Nelson, Troy Duster, Oscar H. Gandy Jr. e outras e outros autores que definem o campo no mundo anglófilo.







Ludy Braun apresenta análise racialmente crítica e tecnopolítica do espirômetro, instumento inventado para medir a capacidade pulmonar. Inventores, médicos e corporações solidificaram a crença errônea sobre negros terem menor capacidade pulmonar, o que foi usado para desumanização e restrição a direitos.







Dark Matters: On the Surveillance of Blackness (2015) A essencial obra de Simone Brown mostra a gênese da vigilância como prática central nas sociedades a partir do horror colonial. e escravidão transatlântica. De práticas de tortura coloniais como marcação de escravizados à biometria em aeroportos, a história apresentada por Browne desvela como a “negritude” é conceito essencial para as práticas, narrativas e resistência à vigilância.







Beyond Hashtags: #Ferguson, #Blacklivesmatter, and the online for offline struggle (2016) O documento não é um livro, mas sim um relatório de Deen Freelon, Charlton D. Mcilwain e Meredith D. Clark com amplo estudo sobre a mobilização online e presencial do #BlackLivesMatter. Foi aplicada análise de rede e métodos digitais a 40,8 milhões de tweets, 100 mil links, além de 40 entrevistas com ativistas. Algumas visualizações e recortes de dados são inovadores, como o agrupamento longitudinal por comunidades. Clique para ler resenha.




Intersectional Internet: Race, Sex, Class and Culture Online (2016) Coletânea editada por Safiya Noble e Brendesha Tynes reúne capítulos de pesquisadoras e pesquisadores estudando questões de raça, gênero e classe na internet tais como: políticas de viralidade e virilidade em masculinidades asiáticas; moderação comercial de conteúdo; análise interseccional de apps de encontros; memes no Instagram e adolescentes negras e outros.








Encoding Race, Encoding Class: Indian IT Workers in Berlin (2016) Sareeta Amrute pesquisou como o mercado de startups e tecnologias digitais em Berlim esconde práticas racistas e classistas no cotidiano. A partir de etnografia em escritórios que contratam desenvolvedores indianos, Amrute discute as construções sobre raça, classe e migração nestes espaços de trabalho do capitalismo cognitivo.







O livro de Safiya U. Noble é um marco na atual onda de reações à discriminação algorítmica em diversas esferas, inspirando diversos trabalhos e iniciativas. Noble estudou especificamente o caso da Google e a hiperssexualização de garotas negras. Clique no título acima para uma resenha publicada neste blog.








O livro de Whitney Battle-Baptiste e Britt Rusert reúne a história e coletânea das visualizações inovadoras que o sociólogo W.E.B. Du Bois produziu no início do século XX para divulgar mundialmente dados sobre os negros afroamericanos. Clique no título acima para uma resenha.








Ruha Benjamin discute as tecnologias digitais e algorítmicas a partir do que chama de “Critical STS”, a junção da Teoria Racial Crítica (TRC) e dos Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade. Benjamin propõe o conceito de “New Jim Code” – um modo sistêmico e hostil de viés hostil e racista cada vez mais integrado e opaco nas tecnologias digitais. Clique no título acima para uma resenha publicada neste blog.







Organizada por Ruha Benjamin, a coletânea reúne 14 capítulos em três agrupamentos: tecnologias carcerárias das fazendas às prisões; sistemas de vigilância do Facebook à fast fashion; e reapropriação liberadora das ferramentas, dos abolicionistas aos futuristas.








O livro de Charlon McIlwain traz uma historiografia inédita das relações entre afro-americanos e as tecnologias digitais desde os anos 1960, a partir de levantamento de documentos e entrevistas com pioneiros.











Neda Atanasoski e Kalindi Vora apresentam livro sobre como robôs, inteligência artificial e outras tecnologias foram moldadas por ideologias do racismo anti-negro, colonialismo e patriarcado.










André Brock estuda a negritude online de africanos-americanos e o modo que os significados e performances são construídos nas plataformas digitais como Black Twitter, Instagram, YouTube e aplicativos.










O livro reúne reflexões diversas e multidisciplinares sobre as interfaces dentre os fenômenos da comunicação digital, raça, negritude e branquitude. Através da tradução de textos estrangeiros inéditos em português e atualização e redação de publicações selecionadas de brasileiras/os, o livro colabora com a crescente complexificação do pensamento sobre a comunicação digital e internet resultante da diversificação dos olhares e falas nos espaços acadêmicos.




Organizado por Artwell Nhemachena, Nokuthula Hlabangane e Joseph Z. Z. Matowanyika, o livro identifica a colonialidade da ignorância e geopolítica da ignorância para combatê-las através da centralaidade do conhecimento afrocêntrico na matemática, educação, desenvolvimento e estudos de ciência e tecnologia.


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